7.8.08

"o simples repousa em profundidade"


Na manhã de quarta-feira o acaso me trouxe de presente o disco “Moira”, estréia da cantora Maísa Moura que lançaria seu primeiro CD na noite deste mesmo dia. Oportunidade para uma audição prévia que é sempre interessante, assim como assistir a um show estando aberta à novidade é uma experiência única.

Mas o tempo não dava tempo e o disco ali ao alcance dos olhos, investigado sem poder soar gerou uma expectativa pela simplicidade aparente, seguida de uma emoção pelos versos e pelo conceito do disco que se definia nos bordados do encarte. A primeira audição logo confirmou a intensidade deste trabalho permeado de critério, densidade e esmero.

O repertório do disco de estréia de Maísa Moura é elaborado, com Zé Miguel Wisnik (!), Chico Saraiva, Renato Negrão, Makely Ka, Eleomar e Tom Zé. São canções que sugerem caminhos inesperados e Maísa chega a todos e vai além com técnica apurada e larga extensão vocal. Os arranjos são de Avelar Jr., Guilherme Castro e Vladimir Cerqueira para uma formação com baixo, violões, violoncelo, sanfona e percussão com Fred Malverde, Sarah Assis e Léo Dias.


”Moira” convida o ouvinte a um universo de profundidade e sensibilidade.

Ousada, mas sem pretensão e por isso precisa e certeira Maísa Moura desponta na cena mineira com autenticidade e um potencial de grandes realizações. Suas pesquisas resultaram em um disco requintado, que nos transporta para um ambiente camerístico - ou ‘Roseano’ como pontuou Titane – em todos os casos bem expressivo.

É um disco para ser apreciado com o mesmo cuidado e dedicação com que foi feito. Trilha sonora para todos os dias descobrir um novo toque, um outro timbre ou um verso arrebatador. Vai permanecer por tempos bons na minha lista.

Para quem quiser ouvir, as faixas estão disponíveis para download junto com o encarte e as letras. Por aqui fico deixando um trecho da letra da canção “Casa de Areia” feita por Makely especialmente para sua parceira.



“sol aceso em mil faróis
na cambraia de lençóis
nem valentes nem heróis
somos dois somente mais a sós

ouço o vento e soa sua voz
muda lento em volta tudo atroz
passa o tempo e não passamos nós
noite adentro escorre pela foz”


arte gráfica de Gisele Moura + foto divulgação

6.8.08

G. GUEDES


Dois tempos, duas histórias que se reencontram na música. Para esse duo, um mesmo nome: G. Guedes, que vale tanto para Godofredo Guedes quanto para seu neto Gabriel Guedes. A distância que separa os dois (Godofredo faleceu em 1986, quando Gabriel tinha 8 anos), não impede a estréia conjunta em um trabalho recheado de chorinhos, de lembranças e de ineditismo.

“Choros de Godofredo”, CD que Gabriel Guedes lançou em 2005, traz chorinhos inéditos do seu avô paterno. O caderno de partituras manuscritas, com composições do avô carpinteiro, construtor de instrumentos, músico, poeta, pintor e artista foi um verdadeiro achado na sua vida. Uma herança de valor inestimável, com a qual Gabriel vem realizar o sonho de Godofredo, registrando essas composições em grande estilo, resgatando uma história muito musical.

Neste disco, Gabriel Guedes assume o bandolim e convida os artistas de sua referência para partilhar com ele esse momento de resgate e de estréia. Um encontro com os amigos e a família no melhor estilo das rodas de choro. Participam do disco seu pai Beto Guedes, que canta com Tavinho Moura a canção "Cais da Esperança", Milton Nascimento marcando presença em "Tropeiro", Wagner Tiso ao piano em "Tardes em Fortaleza" e Yamandú Costa com seu virtuoso violão em “Eu e minha clarineta”, dentre outros artistas.

O repertório, selecionado a partir do gosto pessoal de Gabriel e das peculiaridades de cada música, inclui ainda outras pérolas de Godofredo, como o sofisticado “Chorando em sol menor” e o melódico “Chorando com estilo”. O disco se completa com mais quatro músicas inéditas: “Tocando no Parque”; “O Último choro”; “Caindo do Céu” e “Tristeza de baiano”.

No dia 15 de agosto Godofredo Guedes, o patriarca de uma família de grandes artistas adoradores também da aviação, completaria 100 anos de vida. Gabriel Guedes, após realizar o sonho do avô lançando sua obra, preparou uma série de homenagens a Godofredo, a começar pelo show de hoje a noite, no Grande Teatro do Palácio das Artes com participação de Beto Guedes, Lô Borges, Toninho Horta, Marina Machado, dentre outros. A comemoração desta data querida se estende também para Montes Claros, cidade onde Godofredo viveu, com show especial no próprio dia 15.

Gabriel à frente deste trabalho encontrou a melhor forma de expressar sua admiração pelo avô: “Não se fala com palavras, o que se pode dizer com a música”. Música que fica a perpetuar a inspiração e sensibilidade de um dos maiores compositores da música popular brasileira.


Resgate do texto feito em 2005 para o caro querido amigo Xexéu para divulgar sua valiosa iniciativa. Desejo de boa sorte e um 'Até Montes Claros!’, já que a presença de hoje será em outro show: o lançamento de Moira, estréia da cantora Maísa Moura, no projeto Stereoteca. Hasta luego!

18.7.08

IDÉIAS SEM FRONTEIRAS


Este mês também é comemorativo pra revista Continuum, publicação mensal do Itaú Cultural que completa seu primeiro ano de existência. Entre artigos, entrevistas, textos literários e resenhas a revista aborda diversas temáticas pela perspectiva da arte. Arte que se faz presente nos textos mais livres e autorais, no espaço aberto para o visual e no projeto gráfico que compõe um produto atrativo e consistente.

Na versão impressa e virtual, a Continuum recebe colaborações e tem espaço interativo, dinamizado por constantes contribuições. Cada edição traz uma novidade seja no tema, no visual ou nas imprevisíveis colaborações da “Área livre”, que traz fotografias, ilustrações, textos ou mesmo objetos, pra tornar palpável alguns conceitos do design, como na revista nº 10. É desta seção, da edição nº 12, a imagem que ilustra este post, intitulada “A imagem das mil palavras”, criação de Dimitre Lima a partir das palavras mais utilizadas nas edições de até então.

O rompimento de aparentes paradoxos também é um marco da revista. A começar pela proposta editorial, de produzir um jornalismo cultural de fácil alcance e também reflexivo. Continuum convida a uma percepção dialética da realidade, das relações sociais e suas repercussões nas formas de expressão. Os processos criativos dos artistas, o contraponto da arte com a violência; a cultura na infância, a cultura imaterial; os contrários, as gerações, as “idéias sem fronteiras” já foram temas abordados. Neste mês o assunto gira em torno d’O Simples e o Complexo. Essa e todas as outras edições estão disponíveis para download.

O que está na revista repercute na sede do Itaú Cultural (e vice-versa) onde a teoria se confirma prática e entre exposições, seminários, espetáculos e espaços de convivência, o encontro de diversos acontece e as idéias reverberam. No dia 22 de julho, inclusive, a própria Continuum vai ser pauta do debate 'Arte e Cultura: O Mercado Editorial' que busca refletir sobre o mercado editorial voltado à arte e à cultura no Brasil, políticas e estratégias de sustentabilidade do setor, suas linguagens e conteúdo. Quem não estiver em Sampa pode conferir a transmissão ao vivo no site do Itaú Cultural.

Do ponto de vista institucional, a Continuum é uma estratégia diferenciada que legitima os conceitos defendidos pela própria instituição que, como se registrou na edição de lançamento, “busca a democratização do acesso à cultura e que tem o compromisso de estimular a reflexão, sempre”. Coerência torna o resultado da revista ainda mais interessante. Nesta data querida, votos de continuidade.


imagem de Dimitre Lima

14.7.08

É preciso aprender o tempo das coisas
Das coisas que não dependem do tempo



Sem pressa, sem prazo
Ora Boa vem desenhando seu espaço

Um ano na rede (!)

imagem de leandro hbl

27.6.08

'ÔBA LÁ VEM ELA'


Titane está diferente e vai surpreender o seu público. Principal cantora mineira em atividade, Titane lança o disco “Ana”, experimentando outras alturas para o seu canto preciso e intenso, revelando composições da nova geração de músicos de Minas Gerais.

O lançamento, que traz no título o nome da titã “Ana”, é uma coletânea da nova cena na voz de uma das maiores e mais autênticas intérpretes de Minas Gerais. Em homenagem aos compositores que se revelaram no Reciclo Geral – Mostra de Composições Inéditas, em 2002, Titane selecionou um repertório de mineiridades, registrando composições de Renato Villaça, Makely Ka, Érika Machado, Cecília Silveira, Dudu Nicácio e Kristoff Silva.

Mantendo a marca da carreira artística de Titane, o disco “Ana” apresenta uma experimentação musical refinada, com a participação de Renato Villaça na produção do disco e Rafael Martini em arranjos elaborados com um primor contemporâneo. Makely Ka deixa sua impressão artística influenciando versos e prosas. Entre os músicos convidados, todos talentosos representantes em processo de se fazer descobrir, a diversidade da música mineira interpretada por Titane.

Escute, aprecie e acesse um som que se encontra com o pulsar do presente. Vá lá no site para baixar as músicas, experimentar manipular os instrumentos das canções e baixar o encarte, obra e arte de Águeda Couto, com fotografia de Eustáquio Neves em site desenvolvido por Pedro Miranda.

O show de lançamento acontece dia 2 de julho, às 20h30, na programação do Stereoteca. Uma intensa experiência sonora é o que Titane garante para o show de logo mais. No embalo do seu disco que traz “uma interação suave com a máquina” ela apresenta um show único, um convite à audição sensível de sua voz, na elaborada base instrumental garantida pelos músicos Renato Villaça (guitarras), Rafael Azevedo (violões), André Cabelo (manipulação de áudio) e com intervenção criativa de João das Neves, da iluminadora Telma Fernandes, do artista plástico Osório Garcia e do fotógrafo Eustáquio Neves. Apareça!

Reforçaram o convite: Jornal Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia, Rádio Inconfidência, Rádio Alvorada e mais Portal Terra, Globo Minas, Agenda BH, BH Eventos, Guia Entrada Franca, Dany Morealle, dentre outros.
Muchas gracias Fumaça Corp!


Tudo ao mesmo tempo agora! Titane lança ANA e a Comum coloca o carro da rua. A Cooperativa da Música de Minas chegou pra trabalhar em rede, articulando ações que visam profissionalizar o mercado e oferecer melhores condições de trabalho para os músicos daqui. Tamo junto! Para seguir adiante, com quem mais quiser cooperar, assembléia nesta segunda-feira, dia 30. Saiba mais na versão release do Pixelando ou no impresso registrado no Autófago. Acompanhe e participe, bons horizontes à vista.


foto eustáquio neves