25.4.08

ENTRE E FIQUE A VONTADE




De longe pode parecer uma miragem, ou mesmo uma ilha de memória em pleno centro urbano da capital. A imaginação infantil não duvida que naquele castelo exista uma princesa aprisionada, ou mesmo uma bruxa má atrás da porta principal.

A maioria da população que transita por ali sem parar, indo e vindo na labuta do dia-a-dia geralmente desconhece o que hoje habita este antigo Prédio da Estação Central de Belo Horizonte.

Os pré-conceitos podem querer permanecer diante da “previsibilidade de um museu”, mas o convite é insistente: entre e fique a vontade, o Museu de Artes e Ofícios é um concentrado de realidade histórica e cultural.

Reconhecer a arte que existe no ofício artesanal dos trabalhadores, protagonistas de um Brasil pré-industrial é compartilhar a riqueza de uma história que nem sempre se conta nos livros oficiais. O Museu de Artes e Ofícios - MAO é esse lugar de memória, de valorização e divulgação das profissões e principalmente do trabalhador brasileiro.

Inaugurado em dezembro de 2005 o MAO apresenta ao público uma coleção de mais de 2.200 peças dos séculos XVIII ao XX divididas em ofícios diversos, como transporte, comércio, mineração, conservação e transformação dos alimentos, ambulantes, dentre outros.

Sua implantação nos prédios históricos da Estação Central, que foram restaurados para abrigar o Museu, trouxe um ganho artístico-cultural para Minas Gerais e também representou um processo de valorização e requalificação do centro de Belo Horizonte.

Ali, bem próximo ao trabalhador, o MAO mantém e revela a riqueza da produção popular, os fazeres, os ofícios e as artes que deram origem a algumas das profissões contemporâneas.



Não por acaso, pessoas de diversas classes sociais e faixas etárias expressam sua emoção e satisfação por estarem ali, se reencontrando com o seu passado, com um cotidiano remoto que permanece vivo. O diferencial está justamente nesse encantamento que ressurge com o simples e corriqueiro, destacado em uma coleção que valoriza a arte diária de “construção do mundo dos homens”.

Desafios não faltam para manter essa instituição plenamente dinâmica e atuante. Ações integradas nas áreas museológicas, educativas e culturais são desenvolvidas diariamente e o público pode apreciar a exposição permanente com os ofícios brasileiros e também participar dos eventos culturais mensais “Ofício da Música” e “Ofício da Palavra”, além de exposições temporárias, oficinas e outras atividades.

Para o mês de maio, programação especial para a 6ª Semana de Museus, lançamento do curso de “Qualificação de jovens em conservação” e nova e renomada exposição temporária. Acompanhe aqui. Para todo este ano, o prazeroso desafio de desenvolver uma gestão cultural que venha de encontro às demandas e potenciais desta importante instituição museal, tendo na criatividade e flexibilidade da arte, a fonte de inspiração. O trabalho está só começando.


fotos Miguel Aun

2 comentários:

Anderson Ribeiro disse...

Lembro de ter passado pela frente desse imponente prédio. Não tive tempo de visitá-lo. Uma semana em BH é pouco tempo pra degustar a cidade e seus encantos. Também confesso que tem muitas ladeiras desanimadoras. hehehehe. Um beijo, mineirinha.

Luiz Navarro disse...

a programacao desse mes ta muito boa, hein?