
14.12.10
CORPO A CORPO

11.12.10
PORQUE HOJE É SÁBADO

10.12.10
NA PISTA, NO PALCO, NA CIDADE

MÃO NA MASSA

9.12.10
'ESSA NOITE VAI TER SOL'



O BRASIL EM BH

2.6.09
MÃOS À OBRA

Se o Brasil tem uma irmã mais velha, é a Colômbia. Lá se fala uma língua diferente, o castelaño, mas a culinária, a geografia, o clima e o cotidiano de seus moradores se parecem bem com o brasileiro. Agora, quando o assunto é social, é preciso ficar atento e aprender com a experiência desse país que passa por muitas dificuldades de extrema pobreza e violência armada e hoje busca reverter esse contexto com a contribuição de todos os cidadãos.
Em Medellín, capital da Antioquia, as mudanças estão à vista. Obras pela cidade, festivais de arte e cultura, segurança pelas ruas, muitos projetos sociais sendo desenvolvidos. As favelas de lá se chamam comunas e elas são muitas, ocupam grande parte do território da cidade, suspensas no fim da Cordilheira dos Andes.
Dois projetos sócio-culturais foram visitados na semana em que aconteceu o Congresso de Formação Artística e Cultural para América Latina e Caribe, em agosto de 2007. Em ambos, a arte é uma aliada na busca integrada por paz, conhecimento, desenvolvimento pessoal e profissional dos envolvidos. O teatro é a principal expressão artística.
Especialmente na Comuna 2, chamou a atenção o trabalho desenvolvido pela Corporacion Cultural Nuestra Gente, surgido em 1987 e com atuação em três frentes de trabalho: Desenvolvimento institucional, que articula parcerias de sustentabilidade para o grupo; Formação artística, com o propósito de “construir artistas para a vida”; e Projetando arte, grupo de teatro profissional que circula seus espetáculos e também incorpora jovens que estão no processo de formação.
Em uma linha artística-social semelhante, desenvolvida no bairro Belén, está La Corporacion Artística La Polilla que há 22 anos realiza um trabalho de sensibilização, fortalecimento e desenvolvimento dos valores culturais da comunidade. Para isso, eles mantêm um centro cultural com um teatro onde são realizados espetáculos, filmes e festivais e também são desenvolvidas atividades de formação artística e eventos especiais como o MIMAME – Festival Internacional de Mimos, que está em sua 10ª edição.
Nuestra gente

A sede do grupo é uma casa amarela de esquina que guarda antigas histórias da cidade e se revela inteira criação coletiva de todos que estão lá, do mosaico no muro da casa às placas de indicação interna.
O mural de fotos revela que muitos daqueles jovens estão no projeto desde criança, são multiplicadores e protagonistas desta representativa ação sócio-cultural.
Neste espaço são realizadas oficinas de formação e capacitação humana e artística nas áreas de teatro, dança, música, comunicação comunitária rádio e tv, trabalhos que são projetados em intercâmbios, mostras,festivais e encontros comunitários anuais. Tudo acontece de modo integrado e os anos de dedicação e trabalho consolidaram o Nuestra Gente como uma referencia local e de toda a América Latina.
Atuação local com consciência global
Na Corporacion Artística La Polilla só não pode entrar a tristeza. A arte está em todos os lugares e o centro cultural mantido pelo grupo, no bairro Belén, está sempre repleto de atividades e de gente. Marionetes, palhaços, atores transitam entre músicos e educadores em formação ou em cena. A programação e outras informações estão disponíveis no site http://www.lapolilla.org/La Polilla pretende ser uma empresa comunitária do setor cultural com um conjunto de programas e serviços que promova a geração de empregos e a dinamização da atividade cultural da zona onde atua. O trabalho desenvolvido no bairro Belén repercute em toda cidade, na América Latina e envolve crianças, jovens e adultos. O poder público reconheceu e, em 1998, o La Polilla foi agraciado com o prêmio “El Medellín que yo promuevo”, dentre outros.
Além de atuar na formação de artistas e agentes culturais, La Polilla acolhe grupos cênicos, fortalecendo sua consolidação. Dentro da própria sede são apresentados espetáculos criados pelos próprios grupos, difundindo a arte e ao mesmo tempo buscando viabilizar sua sustentabilidade.
Tanto o La Polilla como o projeto Nuestra Gente revelam um nível de profissionalismo e foco de ação exemplar para a área sócio-cultural e para o terceiro setor. Os resultados saltam aos olhos e o reconhecimento do poder público e outras instituições do terceiro setor também legitima essas iniciativas. Projetos que se cruzam em parcerias coletivas de redes e entidades colombianas e intercâmbios com artistas e agentes de diversos países. Projetos que podem bem representar uma “boa lição” colombiana ao caçula Brasil.
A viagem à Colômbia foi em agosto de 2007. Este texto editado saiu a pouco como colaboração pra seção "Outro Umbigo" no Informativo nº 7 da ONG Favela é Isso Aí . A Ora Boa segue sem pressa, vivendo momentos de reflexão prática.
23.4.09
1266

Das grandes regiões de São Paulo, essa talvez seja a maior. O metrô pra lá diz ser o mais lotado. O palpite acabou sendo que o tamanho de Belo Horizonte inteira devia corresponder a toda a Zona Leste paulista.
Mais adiante, o casamento na clássica igreja puxa o papo para o refúgio histórico num lugar de representativa arquitetura. O que mais chama a atenção é o nome da Igreja, que o taxista desconhecia.
- Nossa Senhora do Brasil. Disse “toda entendida”.
17.4.09
UMA LEITURA DE STUART HALL
A problematização que Stuart Hall, teórico cultural jamaicano radicado no Reino Unido apresenta no artigo “Notas sobre a desconstrução do ‘popular’”, trata dos desafios de periodização da cultura popular e da definição de um conceito único para o termo “popular”.
Hall chama atenção para a necessidade de se entender o duplo movimento da cultura popular, o processo dialético de contenção e resistência. A cultura popular é o “terreno sobre o qual as transformações são operadas”, não se consistindo nem em uma tradição intacta, nem mesmo em um terceiro elemento totalmente novo.
A partir do século XVIII as relações sociais se intensificaram com as classes trabalhadoras em formação, geralmente “distantes das disposições da lei, do poder e da autoridade” e ao mesmo tempo integradas ao “campo mais amplo das forças sociais e das relações culturais”. O autor cita o vínculo da cultura popular com a sociedade ”através de inúmeras tradições e práticas. Por linhas de ‘aliança’ e por linhas de clivagem”, e também a resistência de um século de algumas regiões, fazendo-se necessário um processo contínuo e permanente de reeducação e reforma.

Periodização
O período entre 1880 e 1920 é o recorte temporal dado pelo autor que, referenciando Gareth Stedman Jones, observa que “em algum momento desse período se encontra a matriz dos fatores e problemas a partir dos quais a nossa história e nossos dilemas peculiares surgiram”.
Nesta época foram empreendidas mudanças a partir de questionamentos que se assemelham com o período atual. Hall contemporiza e considera não ser “por acaso que tantas das formas características daquilo que hoje consideramos como cultura popular ‘tradicional’ emergiram sob sua forma especificamente moderna”.
O período de desenvolvimento do capitalismo agrário para o industrial marca uma intervenção direta na cultura popular, que ainda não havia sido incorporada à lógica do capital que começava a se definir. Todo um processo de reeducação social desta cultura de “fora das muralhas, distante da sociedade política e do triângulo do poder” foi empreendido no século XIX.
Hall, por meio de questionamentos sobre o “imperialismo popular” parece elucidar algumas estratégias de massificação do consumo por meio da cultura popular. O autor cita a instituição da imprensa liberal da classe média da metade do século XIX às “custas da efetiva destruição e marginalização da imprensa local radical da classe trabalhadora”. A apropriação do popular pelo e para o consumo gera uma interferência no processo conceitual, informacional e lógico de uma classe para determinar uma direção uniforme para a massa.
A ruptura vinda com o período pós-guerra gera “mudança nas relações culturais entre as classes e um novo relacionamento entre o povo e a concentração e expansão dos novos aparatos culturais”. O autor enfatiza a necessidade de se estudar a cultura popular considerando a sua incorporação à dominação do imperialismo e da indústria cultural, no século vinte, num processo desencadeado nos séculos anteriores.
O “popular”
No mercado comercial e no senso comum resume-se ao que é consumido pela massa, definição “associada à manipulação e ao aviltamento da cultura do povo”. Este conceito para o termo popular Hall questiona por considerar que o povo, mesmo nutrido “por um tipo atualizado de ópio”, não é essencialmente passivo.
Outra restrição destacada ao termo popular é a distinção usualmente criada entre cultura comercial popular x cultura popular autêntica, sendo que o autor considera como problema básico desta percepção dual, o fato de que “ela ignora as relações absolutamente essenciais do poder cultural – de dominação e subordinação – que é um aspecto intrínseco das relações culturais”.
O autor chama a atenção para o fato de que a cultura popular está inserida no contexto das indústrias culturais, onde “há uma luta contínua e necessariamente irregular e desigual, por parte da cultura dominante, no sentido de desorganizar e reorganizar constantemente a cultura popular”. A cultura popular não transita apenas entre os extremos de isolamento e preservação ou total passividade e fácil manipulação, mas existe uma “concentração do poder cultural” que favorece o reconhecimento e a adesão por parte da maioria aos hábitos culturais estabelecidos.
A adesão da cultura popular a essa lógica imposta desde o século XVIII não é meramente pela via da manipulação, pois como apresenta Hall “junto com o falso apelo, a redução de perspectiva, a trivialização e o curto-circuito, há também elementos de reconhecimento e identificação”. É este processo complexo e dialético de resistência e aceitação que faz com que exista no campo da cultura “uma espécie de campo de batalha permanente”.
Outra conceituação do termo popular questionada por Stuart Hall é a que se refere a tudo o que o povo “faz ou fez”, que por ser abrangente e descritiva demais não permite uma diferenciação clara entre o que é e não é cultura. Este segundo ponto de dificuldade trata da categorização entre a cultura da periferia e a cultura dominante (povo x elite), uma fragmentação equivocada de um processo integrado, que é legitimada e instituída em diversos espaços sociais, como no sistema educacional, familiar, informacional etc.
A proposta do autor é de uma terceira definição para o termo, a que “considera, em qualquer época, as formas e atividades cujas raízes se situam nas condições sociais e materiais de classes específicas; que estiveram incorporadas nas tradições e práticas populares”.
O processo dialético da cultura popular, em relação contínua com a cultura dominante é destacado pelo autor, como ponto a ser considerado nos estudos e compreendido nos processos históricos não como “culturas inteiramente isoladas ou paradigmaticamente fixadas”, mas como um processo dinâmico de reorganização e recriação permanente.
Em contraponto à crítica de visão de cultura popular e tradição como algo que precisa ser preservado e mantido estático, Hall instiga a percepção de que “a cultura popular é um dos locais onde a luta a favor ou contra a cultura dos poderosos é engajada”. E isso diz muito sobre possibilidades de transformação no contexto mundial atual.
Da diáspora: Identidades e mediações culturais / Stuart HallOrganização Liv Sovik, Tradução Adelaine La Guardiã ResendeBelo Horizonte: Editora UFMG; Brasília : Representação da UNESCO no Brasil, 2003
Voltando aos poucos. E entrando de acordo no processo de pesquisa > Resenha para a disciplina de Teorias da Cultura - curso pós-graduação em Gestão Cultural pelo Celacc/ECA/USP
16.4.09
21.1.09
NOTA EXPLICATIVA PARA UMA NOVIDADE

2009 representa para a Ora Boa dois anos de vida virtual, por meio deste blog, e quatro anos de vida prática, com intensa atuação na cena artística e cultural de Minas Gerais. Independentemente do tempo, esse período representa acima de tudo uma busca por um conceito em construção, que pode se experimentar e se definir aqui sem a pressão institucional de umas horas ou o deadline apressado de outras.
Esse caminho vem se construindo no limite tênue entre o objetivo e subjetivo, a realização profissional e a pessoal e outras entrelinhas mais. Tudo o que vêm sendo registrado aqui é feito com imenso prazer, mas não sendo a única coisa que se deseja compartilhar, a Ora Boa resolveu se multiplicar.
Por aqui uma pequena pausa, para avaliações e planos da prática profissional. Enquanto isso, para não ficar parado : Rapidinhas, a versão dicas da oraboa para experimentar o lado acelerado da web e te manter informado.
Toda semana tem agenda cultural e várias dicas de arte pra você acompanhar a tempo. Vai lá, mas não deixe de voltar sempre aqui hã?
30.12.08
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26.11.08
'ÁFRICA GERAIS'
Nossa Senhora do Rosário era santa branca, vinda de Portugal. No Brasil ela surgiu como lenda, no meio das águas, como uma iluminação. Foram muitas as tentativas para tirá-la da água e enaltece-la em um altar. Era tempo da escravidão, quando os novos moradores do Brasil-colônia, cada um oriundo de um canto estabeleceram suas relações. Uns vindo para dominar, outros dominados buscando preservar o que traziam por dentro. Cada um com sua crença e, naquele momento, uma santa para trazer para perto.
De todas as tentativas, a atendida foi a prece com cantos e tambores puxada pelos negros, com sua reza própria, festiva e rueira. Ela veio e foi assim que Nossa Senhora do Rosário se tornou sua padroeira, a santa branca, protetora dos escravos, um elo simbólico do sincretismo no Brasil, onde os negros encontraram na Igreja Católica uma forma correspondente de celebrar a sua fé, da sua forma, assim respeitada pela santa católica. O Reinado de Nossa Senhora do Rosário então se formou entre descendentes dos escravos no Brasil, especialmente em Minas Gerais, interior de Goiás e Espírito Santo, sendo popularmente conhecido como Congado.
Este mito fundador do Congado é o ponto de partida de um processo artístico realizado entre integrantes de cinco Irmandades de Congado das cidades de Contagem e Oliveira, interior de Minas. A proposta desenvolvida pelo diretor e autor de teatro João das Neves e pela cantora Titane, resultou no projeto-espetáculo “A Santinha e os Congadeiros”, que enfoca o viés artístico desta manifestação religiosa e cultural e paralelamente valoriza e fortalece essa tradição secular.“O congado é uma manifestação da religiosidade que se faz ver a partir de uma manifestação artística com canções, tambores e bandeiras conduzindo sua religiosidade”. A visão de João das Neves é compartilhada por Titane e por diversos outros artistas que referenciam a cultura afro-mineira em suas criações, incorporando instrumentos, cantos e outros elementos do Congado. Essa apropriação, fruto do contato de diferentes culturas e formas de expressão, é cada vez mais freqüente no mundo contemporâneo onde os limites da diversidade estão cada vez mais próximos.
João das Neves e Titane tem um histórico de interações com a cultura popular e especialmente com o Congado, “apropriado” nos discos Inseto Raro e Sá Rainha e outros trabalhos. Desta vez, com o projeto “A Santinha e os Congadeiros” os parceiros estabeleceram um processo inusitado: integrantes das guardas encenam a si próprios. Uma apropriação ao inverso ou no mínimo uma ação diferenciada, em que o processo artístico desencadeia também um elo dos jovens integrantes com a tradição, e uma valorização pela sociedade desta herança afro-brasileira.
A criação conta com elementos identitários dos participantes. A tradição se expressa pela arte, se comunica de outra forma com a mediação de João das Neves: “O caminho do artista é geralmente conhecer e beber de uma cultura para criar o seu trabalho. Neste caso, os artistas vão até a cultura e ela própria cria o seu trabalho artístico”.
A interação entre artistas e integrantes da guarda gerou o espetáculo “A Santinha e os Congadeiros”, apresentado nos dias 15 e 29 de novembro, em Contagem e Sete Lagoas, interior de Minas Gerais. O processo de montagem da peça desencadeou um contato com arte por meio da tradição que despertou em integrantes da guarda um novo interesse e uma conseqüente valorização desta tradição.
“A cultura negra é essencialmente festiva e rueira. A festa do Congado antes era perseguida, hoje é assediada. Este é um novo tempo, que exige outro comportamento dos capitães das guardas seculares de congado”. João das Neves aponta para o que Jorge Antônio dos Santos, da diretoria de eventos da Comunidade dos Arturos confirma: “Esse projeto é uma forma diferente de mostrar essa história. É um meio de manter a juventude, despertar e valorizar os jovens. Eles se sentem valorizados e valorizam a tradição. É um outro meio de preservar, manter e dar seqüência à nossa tradição”.
Para quem acompanhou: o post que estava em construção virou colaboração para a revista Continuum, do Itaú Cultural. Visita lá. Aproveite e conheça mais sobre a revista aqui mesmo.
27.10.08
PERDIDA NA FLORESTA PREDIAL

No destino de desembarque, emergir das profundezas do subsolo é por instantes como perder a referência do chão, metros abaixo avistando metros acima. Na Avenida Paulista pouco tempo no solo se fica. Do subsolo para ir acima do décimo andar ou andar na rua sob um chão que esconde o vão por onde passam os trens.
Em São Paulo o assobio anuncia a chegada, mas o metrô só surge mesmo quando é seguido de um vento de embalar os cabelos. Se não, está passando no piso debaixo do prédio subterrâneo de trens que cortam (quase) todos os lados dessa cidade que é igual a todas, porém enoooorme perto dessa Belo Horizonte onde o metrô segue a Serra do Curral e no sentido leste-oeste desfila a cidade toda à vista.
Nas redondezas da Consolação a manhã se confunde com o fim de noite. É recorrente o desvio dos cambaleantes jovens virados, tentando voltar para casa ou concentrados no Bella Paulista, espaço de alimentação aberto 24 horas por dia. Lá os opostos se encontram: uns pernoitados e outros despertando para um dia de labuta.
A parada alternativa é na praça Benedito Calixto, onde o ritmo dos senhores montando as primeiras barracas da feira é mais condizente com o dia de estudo que se avista. São eles as mais recentes companhias do desayuno semanal empreendido em São Paulo, em meio às raridades de tempos passados expostas nessa feira tão tradicional.
Ponto de encontro como o Bella Paulista passou despercebido em terras mineiras onde o correspondente é um misto dos dois lugares. Na deliciosa praça de Santa Tereza, como diria aquele paulista mineiro agora carioca Israel do Vale, o hábito é ver o sol nascer atrás do rochedão, com tropeiro e macarrão do Bar do Bolão.
Nesta rotina São Paulo vem se desvendando por ora pouco atrativa, não somente a capital paulista, mas o padrão que se repete nas grandes cidades, com suas estruturas grandiosas e o olhar vazio dos transeuntes como que condicionados, repetindo passos, lançando mão de seu destino. Um sábado assim em Sampa se equivale a um dia útil em Belo Horizonte que vai às cegas, seguindo esse mesmo rumo, se perdendo e transformando-se em uma entristecida floresta predial.
25.9.08
DE OLHOS BEM PUXADOS

O Eletronika – Festival de Novas Tendências Musicais, chegou à sua sétima edição em 2008 celebrando o Centenário da Imigração Japonesa. A escolha dos artistas, as ações paralelas aos shows e toda a identidade visual do Festival levaram em conta o diálogo intercultural entre Brasil e Japão, sem perder de vista a busca pelas novas tendências em todo o mundo.
A programação foi marcada pelo ineditismo e pela diversidade de atrações, sendo que o festival reuniu shows musicais, festas, mostra de cinema e debates, conquistando com isso um público amplo e diversificado, que variava de acordo com o perfil das atrações.
A noite de estréia do Eletronika apresentou uma artista mineira de peso no cenário nacional e contou com presença de grande público. Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu tem conquistado adeptos diferentes com seu disco solo “Por onde brilhem os olhos seus”. Ao regravar Nara Leão a cantora conseguiu reunir na platéia diferentes gerações.
Mas seu show causou grande impacto mesmo pela presença da cantora convidada Maki Nomiya, da banda Pizzicato Five. Ícone da música pop japonesa, Nomiya cantou a canção “O barquinho”, em japonês com Fernanda Takai que por sua vez a acompanhou na divertida Twiggy Twiggy, com refrões e coreografia e também na música Sweet Soul Revue, ambas hits do Pizzicato Five, banda da qual Nomiya foi integrante. A presença de Nomiya chamou a atenção da mídia nacional para o festival, rendendo matérias no Caderno 2 d’O Globo e extrapolando as pautas de cultura, chegando à sessão de moda do site da Abril, dentre outras.
Sen-sa-cio-nal!
O fluxo de pessoas reduziu bastante no segundo dia do festival. A isso pode-se atribuir duas coisas, dentre outras, que estão interligadas: o perfil das atrações e o preço dos ingressos. Esses dois fatores associados podem ter causado uma baixa no público que gerou a indagação do músico Curumin, no acender das luzes: “Boa noite BH! Cadê BH?”.
Curumim e Instituto são grandes artistas da música alternativa brasileira, representantes do groove, dub, hip hop e rock brasileiro. Ambos do estado de São Paulo vêm desenvolvendo uma experimentação sonora com ritmos brasileiros e eletrônicos. No circuito alternativo, estes artistas têm um público cativo, mas que não marcou presença em peso no show, sendo provável que uma das razões seja o valor do ingresso (50,00 inteira e 25,00 meia - atrações do Grande Teatro e 20,00 inteira e 10,00 meia – show Sala João Ceschiatti) que restringiu o acesso ao público jovem em geral. Em nenhuma noite do festival houve lotação completa do espaço.
No que tange ao acesso à diversidade e bens artísticos, porém, o Eletronika inovou, trazendo referências mundiais, como a cantora e compositora japonesa Maki Nomiya e a banda indie nova-iorquina Asobi Seksu, atrações que, não fosse o Festival, provavelmente não chegariam a Belo Horizonte.
A presença do público foi maior nas noites com atrações mais pop, que estão na grande mídia e nos principais sites da internet, como Fernanda Takai e o fenômeno teen Mallu Magalhães, que se apresentou no sábado, quando também tocaram Hurtmold, com participação do músico Paulo Santos, do grupo Uakti (!), de Belo Horizonte, e a banda Asobi Seksu. Nesta noite o Festival Eletronika recebeu o seu maior público.

O Eletronika gerou uma ocupação diferenciada do Palácio das Artes, principal centro cultural da cidade de Belo Horizonte, com Grande Teatro, cinema, galerias e teatro para públicos menores. Abrigando um evento totalmente diferente dos padrões tradicionais, a agitação alternativa gerada pelo Eletronika no Palácio das Artes confirmou a versatilidade deste centro cultural que tem uma estrutura adequada para eventos de variados portes e para abrigar diversas expressões artísticas.
Bom por um lado, questionável por outro. Músicas pop, pouco elaboradas harmonicamente e que geralmente são dançantes, em alguns momentos destoaram do ambiente formal do teatro e suas cadeiras fixas. Em compensação, foi única a possibilidade de transitar entre os espaços, sair do show com liberdade para tomar uma cervejinha em um ambiente lounge e retornar quando quiser.
Além do espaço do Grande Teatro, a sala João Ceschiatti foi palco de seis outros shows, que aconteceram na sexta-feira e no sábado em horário anterior às atrações principais. Se apresentaram as bandas Guizado, Pop Armada e M. Takara, de São Paulo, PexbaA e Monno de Minas Gerais e Macaco Bong, do Mato Grosso.
O Festival Imagem dos Povos 2008 – Mostra Internacional Audiovisual veio fortalecer a temática do evento, com a exibição de filmes e debates gratuitos em torno da temática “Japão, Amazônia, Minas Gerais”. Para quem não freqüenta os sempre badalados redutos da música eletrônica e independente da cidade, o Festival Eletronika foi uma boa opção para ver um pouco de tudo e especialmente para se surpreender com a produção musical nipônica.
trechos da análise elaborada para a disciplina de 'organização de eventos' do curso de pós-gradução em gestão cultural da USP, sobre o eletronika - festival de novas tendências musicais, que aconteceu em belo horizonte entre os dias 25 e 27 de setembro em BH. adaptado de lá pra cá
23.9.08
PRIMEIRA ERA
22.9.08
FURANDO FILA
Outros posts estão sendo elaborados (sem pressa, naquele tempo bom...), mas neste blog onde evita-se a primeira pessoa e as dicas rápidas, também existem exceções. Isso para que você caro leitor que curte uma música da boa, possa aproveitar as mais novas notas musicais.
Novidades na área: Camille inovando mais uma vez e Rodrigo Amarante rompendo as fronteiras geográficas. Ambos esbanjando talento e explorando em inglês novas possibilidades criativas.
Ela está com um site incrível que vai de encontro às suas experimentações artísticas. “Music Hole” revela os potenciais de uma artista em permanente inovação, que neste caso foca nas experimentações vocais, tendo como convidados especiais do disco os brasileiros do Barbatuques (!), além do inglês Jamie Cullum.
Rodrigo Amarante aposta em Little Joy, banda que formou com Fabrizio Moretti, da banda The Strokes e faz um som que é uma “mistura retrô entre os rockinhos do Los Hermanos e uma versão mais lo-fi de Strokes”. De acordo com o resumo de Marcelo Santiago: muito bom! Ouve lá ou baixa aqui.
Depois conta aqui o que você achou?
8.9.08
OLHO MÁGICO

Descobrir os sentidos da vida no acaso. Transmitir através de janelas digitais o mundo em forma de arte. Inspiração? “Vem com o outro, é tudo aquilo que não está em mim”. As ferramentas são a fotografia, vídeo, cinema, todos reunidos na instância maior das artes plásticas. Uma multiplicidade de formatos. Assim é o universo do artista visual Cao Guimarães.
O laboratório de azulejo branco na casa do avô, em Belo Horizonte é a lembrança viva do fascínio despertado pela revelação das fotografias e do desejo insuperável de ver as imagens proibidas daquele arquivo médico. Aprendizado e suspense que inspiraram seus primeiros trabalhos, como a primeira exposição, realizada no Itaú Cultural em 1990: “As imagens eram muito impregnadas, mórbidas. Uma época meio dark, eu era jovem, e tinha uma coisa de esconder as imagens, de sobrepor camadas e camadas de imagem na fotografia, para que a realidade desaparecesse em partes”.
Em 1996, Cao Guimarães se mudou para Londres com a mulher – e também artista plástica – Rivane Neuenchwander. Lá, teve acesso a super 8, câmera digital prática e acessível, que se tornou seu instrumento de trabalho. “Em Londres, tinha o filme e a revelação que não existem no Brasil. Havia diferentes tipos de câmeras e até clubes de “super oististas”, onde era possível montar o filme. Eu comprei a câmera de vídeo e filmava o cotidiano daquela cidade, poesia... Você está distante das pessoas que gosta e passa a ter uma visão de fora do seu país, um olhar melancólico pela cidade”. Esse sentimento deu origem a dois trabalhos, “The Eyeland” (Terra do Olho), que remete à ilha da Grã-Bretanha, mas é um trocadilho, uma brincadeira com a palavra ilha, e “Between”, um inventário de pequenas mortes.
Vídeos e instalações trabalhadas no formato digital caracterizam o trabalho de Cao Guimarães. Com esse recurso, ele explora o mundo das mais variadas formas, transformando simples coisas da vida em arte e reflexão. Trabalhos como “Word World“ e “Hypnosis”, têm como protagonistas o trabalho das formigas em busca de doce, o primeiro, e as danças das luzes de um parque de diversões, o segundo. Situações que muitas vezes passariam despercebidas transformam-se em inspiração aos olhos do artista.

No final de 1998, Cao retornou ao Brasil. Um reencontro com a pátria e com novas inspirações. “Quando eu voltei pro Brasil tive a deliciosa sensação de redescobrir o País. Ou seja, o fim de toda aquela sensação de exílio, melancolia da distância”. Dominando as técnicas do super-oito, e da edição não linear, ele partiu para o interior do Brasil à procura de personagens que trabalhavam com profissões extintas, como ascensorista, tocador de sino e parteira.
Ao lado dos parceiros Lucas Bambozzi e Beto Magalhães, ele chegou ao “Fim do Sem Fim”, longa metragem que retrata, entre outras coisas, o povo brasileiro. As filmagens duraram um ano e dois meses, com uma equipe de apenas cinco pessoas. Na verdade, foram muitas mais, até encontrar pessoas que compartilhassem de uma mesma harmonia estética para completar o trabalho. Cao lembra, O Grivo, grupo de música experimental responsável pela trilha sonora de todos os seus filmes: “Eu sou o olho e eles são o ouvido. Isso é o cinema, a imagem e o som”.
Mas nem tudo é imagem em movimento. Em 2001, o artista lançou o livro Histórias do Não Ver, relatos de vários dias em que simulou um seqüestro e fotografou com os olhos vendados. Esse trabalho, apresentado também no formato de instalação, ganhou o Prêmio Aquisição no XVII panorama de arte brasileiro, no MAM (Museu de arte moderna) em São Paulo.
São muitas as referências para conhecer Cao Guimarães e muitas indicações de quem entende do assunto. Os vídeos narrativos “The Eyeland” e “Between” receberam o Prêmio Especial na IV Mostra do Museu de Imagem e Som, realizada em São Paulo em 2000. A instalação “O Sopro” foi vencedora do prêmio” É Cinema”, no segundo Festival Brasil Digital. “O Fim do Sem Fim” ganhou o prêmio” Renovação de Linguagem” em Marseille, na França e o” É Tudo Verdade, no VI Festival Internacional de Documentário. Enfim, um reconhecimento que levou seu trabalho aos quatro cantos do mundo.
Artista em constante renovação, Cao Guimarães não para. Em 2002 lançou o vídeo “Inventário de Raivinhas” e outros trabalhos que você acessa no site. Em 2004 o documentário ”A Alma do Osso”, vencedor do É Tudo Verdade, inaugurou sua trilogia sobre a solidão. “Andarilho” é o segundo da série, em cartaz no Usina Unibanco de Cinema, premiado como Melhor Direção, no Festival do Rio, em 2007; Melhor Filme no Forum.doc, de BH e selecionado para o Festival de Veneza, em 2008. Encerra a trilogia um filme sobre as multidões, que está em fase de produção. Tem que ver e por um olho mágico, descobrir a surpresa reservada para o outro lado.
O texto é de 2002 e o convite é para agora. Duas oportunidades para conhecer parte da obra de Cao Guimarães: Andarilho, em cartaz no Usina Unibanco de Cinema e exposição de artes plásticas no Museu de Arte da Pampulha. ‘Olho Mágico’ foi elaborado para a quinta edição do SOM – Informativo da Fundação de Educação Artística, em 2002. A estréia primeira no jornalismo fica aqui registrada (e brevemente atualizada) para não perder o fio da meada.
imagem 'andarilho' de cao guimarães
31.8.08
FREAK FAKE

Trata-se de um Show de Calouros com tudo o que se tem direito: etapas eliminatórias, apresentadores num figurino daqueles, jurados, vinhetinhas dançantes, prêmios e... corajosos calouros que encaram a missão de interpretar canções punk rock executadas pela banda base formada pelo P.R.O.A.
Freak Show é comandado pelas “Organizações Pinochet”, a mais nova invenção de uma dupla mineiríssima que, no melhor estilo come-queto, cria um verdadeiro rebuliço nas (longas) noites undergrounds belo-horizontinas. Baiano e Trotta como são conhecidos os músicos do Proa, seguem sob o velho lema do “faça você mesmo” e junto com Danielzim (que completa a banda Proa), Jack S1ngle e Cat criam boas novas como essa.
Com eles é assim, você quase não vê um flyer circular ou uma matéria no jornal, no rádio ou na tv. Mas as festas estão sempre agitadas, com punk, rock, olds e afins na pista e o público ocupando até o topo os principais inferninhos da cidade. Curtiu? Então inscreva-se pelo youtubain@gmail.com e prepare-se para revelar o seu talento e encarar a platéia e os jurados do mais novo show de calouros de BH. Divirto até o fim.
13.8.08
COM ENTENDIMENTO

Essa experiência serviu para adentrar novos caminhos, mas especialmente para reforçar uma das características da comunicação que considero mais importante: a busca pelo diálogo e o entendimento entre as pessoas.Pelo processo vivido e pelos resultados alcançados registro um agradecimento a minha grande irmã da vida inteira Ana Cacá (!) que a partir dos seus conhecimentos de dinâmica e psicologia social me orientou e contribuiu para ricos momentos na oficina. Obrigada também à Associação Imagem Comunitária-AIC pela cessão do programa Rede Jovem de Cidadania. À Rosana Bianchini, coordenadora do Instituto Kairós e especialmente à Flávia Britto (amiguda!) à frente da comunicação e deste trabalho com os jovens, obrigada pelo convite e parabéns pela promissora iniciativa.

