

Outros posts estão sendo elaborados (sem pressa, naquele tempo bom...), mas neste blog onde evita-se a primeira pessoa e as dicas rápidas, também existem exceções. Isso para que você caro leitor que curte uma música da boa, possa aproveitar as mais novas notas musicais.
Novidades na área: Camille inovando mais uma vez e Rodrigo Amarante rompendo as fronteiras geográficas. Ambos esbanjando talento e explorando em inglês novas possibilidades criativas.
Ela está com um site incrível que vai de encontro às suas experimentações artísticas. “Music Hole” revela os potenciais de uma artista em permanente inovação, que neste caso foca nas experimentações vocais, tendo como convidados especiais do disco os brasileiros do Barbatuques (!), além do inglês Jamie Cullum.Rodrigo Amarante aposta em Little Joy, banda que formou com Fabrizio Moretti, da banda The Strokes e faz um som que é uma “mistura retrô entre os rockinhos do Los Hermanos e uma versão mais lo-fi de Strokes”. De acordo com o resumo de Marcelo Santiago: muito bom! Ouve lá ou baixa aqui.
Depois conta aqui o que você achou?
Ao lado dos parceiros Lucas Bambozzi e Beto Magalhães, ele chegou ao “Fim do Sem Fim”, longa metragem que retrata, entre outras coisas, o povo brasileiro. As filmagens duraram um ano e dois meses, com uma equipe de apenas cinco pessoas. Na verdade, foram muitas mais, até encontrar pessoas que compartilhassem de uma mesma harmonia estética para completar o trabalho. Cao lembra, O Grivo, grupo de música experimental responsável pela trilha sonora de todos os seus filmes: “Eu sou o olho e eles são o ouvido. Isso é o cinema, a imagem e o som”.
Mas nem tudo é imagem em movimento. Em 2001, o artista lançou o livro Histórias do Não Ver, relatos de vários dias em que simulou um seqüestro e fotografou com os olhos vendados. Esse trabalho, apresentado também no formato de instalação, ganhou o Prêmio Aquisição no XVII panorama de arte brasileiro, no MAM (Museu de arte moderna) em São Paulo.
São muitas as referências para conhecer Cao Guimarães e muitas indicações de quem entende do assunto. Os vídeos narrativos “The Eyeland” e “Between” receberam o Prêmio Especial na IV Mostra do Museu de Imagem e Som, realizada em São Paulo em 2000. A instalação “O Sopro” foi vencedora do prêmio” É Cinema”, no segundo Festival Brasil Digital. “O Fim do Sem Fim” ganhou o prêmio” Renovação de Linguagem” em Marseille, na França e o” É Tudo Verdade, no VI Festival Internacional de Documentário. Enfim, um reconhecimento que levou seu trabalho aos quatro cantos do mundo.
Artista em constante renovação, Cao Guimarães não para. Em 2002 lançou o vídeo “Inventário de Raivinhas” e outros trabalhos que você acessa no site. Em 2004 o documentário ”A Alma do Osso”, vencedor do É Tudo Verdade, inaugurou sua trilogia sobre a solidão. “Andarilho” é o segundo da série, em cartaz no Usina Unibanco de Cinema, premiado como Melhor Direção, no Festival do Rio, em 2007; Melhor Filme no Forum.doc, de BH e selecionado para o Festival de Veneza, em 2008. Encerra a trilogia um filme sobre as multidões, que está em fase de produção. Tem que ver e por um olho mágico, descobrir a surpresa reservada para o outro lado.
O texto é de 2002 e o convite é para agora. Duas oportunidades para conhecer parte da obra de Cao Guimarães: Andarilho, em cartaz no Usina Unibanco de Cinema e exposição de artes plásticas no Museu de Arte da Pampulha. ‘Olho Mágico’ foi elaborado para a quinta edição do SOM – Informativo da Fundação de Educação Artística, em 2002. A estréia primeira no jornalismo fica aqui registrada (e brevemente atualizada) para não perder o fio da meada.
imagem 'andarilho' de cao guimarães
O verde está saindo da praça... do mercado e da cidade. Já não há mais beija-flor e logo serão poucos os pássaros em geral. A verdinha nota de um real virou raridade, assim serão também com as árvores?
O homem abriu mão de ter os pés no chão, vive no deslumbre, nas alturas dos arranha-céus. A cabeça nas nuvens e as árvores sem chão. Os pássaros sem pouso se vão, o ar não se recicla, o sufoco se amplia. Os valores agora são outros.
“Alvorada com passarada” “passou o tempo e o vento levou”. A moeda veio para substituir o “papel” do beija-flor, na mesma época em que o belo horizonte aos poucos se perde em meio à selva de pedras. Uma troca como tantas outras históricas. Um desejo sincero de que esse novo trocado não represente também a perda de mais verde na paisagem.
Arnaldo Brandão, Neusa Pinheiro, Fernanda Porto, Sérgio Britto e Rômulo Fróes, cada um trouxe à tona a música que saltou desses versos. Pode escolher o estilo e o ritmo, toda gama de variações cabe. Desse poema só, foram cinco versões diferentes.
“A poesia apresenta o mundo mais do que fala sobre ele”. Num atalho para princípios essenciais, adentrou no mundo dos filhos e com “um olhar que beira o infantil”, lançou em 1992, “As Coisas”, “uma prosa contaminada pelas poéticas” que revela o que de mais incrível está adormecido no óbvio. O estranhamento é comum à poesia, é também princípio de vida. “Saiba” (2004) vem dizer das mesmas coisas e sua obra se vê, amadurece na autenticidade de seu processo criativo.
Arnaldo Antunes inspira a positividade criativa. Surpreendeu ele que sempre pareceu familiar. Essas e outras coisas, ele contou ontem no encontro de abertura do projeto Ofício da Palavra 2008, no Museu de Artes e Ofícios - casa diária desses meus tempos. Muita gente marcou presença no evento que revelou bem de perto esse artista completo, no palco ou na vida.
De lá uma passada no Francisco Nunes, para ver teatro cheio com Kristoff Silva e seu espetáculo contemporâneo, envolvente, cada vez mais impecável. A noite revelou ainda uma novidade quente como salsa, afoxé e música brasileira inédita: show das ‘Morales’, no Recanto da Seresta. Irmãs nas artes, no circo e na percussão, o grupo formado por Jabu, Aline e Adriana Morales tava bem acompanhado de Poliana Tuchia, Maurício Ribeiro, Rafael Macedo, André Ladeira, Ana Lu, Juliana Perdigão e participação de Vitor Santana. Uma música mineira que vai além mar. Ponte incrível entre Minas e Pernambuco. Repertório original de dançar e pedir bis. Teve bom. Belo Horizonte tá que tá (!)
foto márcia xavier